• Ana Margonato

Montanha russa

Nove da manhã e ainda nem tomei café. Às 10hs, a xícara quase cheia já fria sobre a mesa enquanto tento colocar roupa para lavar e preparo o lanche da criança. Eu, ainda nem comi minhas frutas, mas paro para fazer a voz do décimo personagem do dia. Isso logo após ter resolvido ao menos umas três crises. Das mais variadas. Querer que o natal fosse hoje, comer pirulito de café da manhã, a roupa favorita que está suja no cesto, a cachorra que não quis comer o pedaço de pão que ela ofertou com tanto carinho. Choro, abraço, conversa, choro, raiva, abraço, sorrisos. Sinto que moro em uma montanha russa. Uma montanha russa muito grande. Daquelas que sobem vagarosamente, a ponto de se esquecer que está dentro de uma, mas que descem em uma velocidade tão absurda que se perde até o ar. Uma montanha russa sem rede de apoio. Ninguém para ajudar a apertar o cinto da criança. Ninguém para ver se a criança não vai cair do vagão. Ninguém para abraçar a criança quando o medo bater na descida. Só a mãe. A figura invisível. Mas que se faz presente e está em todas as funções. Uma montanha russa. Invisível. Cheia de crianças. Invisíveis. E mães. Imperceptíveis a olho nu.


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