• Ana Margonato

Gratidão materna

Gratidão é um sentimento a muito estudado pelos cientistas e hoje sabemos que seus efeitos positivos na vida das pessoas são inegáveis. Ser grato seja lá pelo o que na vida faz bem pra saúde física e mental. Fato.


Ser grato por algum evento, sentimento ou qualquer coisa que lhe gere esse sentimento é algo muito pessoal, gratidão é um sentir único de cada um, no qual não temos como medir ou controlar.


Porém, quando levamos tal sentimento para o âmbito materno, a sociedade costuma tirar o critério da individualidade do sentir e classifica aquilo que a mãe deveria estar agradecendo (e não reclamando). É o clássico "importante é que tem saúde", "tem gente que não tem isso que você tem" e mais uma série de termos que invalidam o sentir alheio e trazem a tona uma obrigação imposta.


Tenho por mim que gratidão e obrigação são palavras que não combinam numa mesma frase. Ser grata por algo está intimamente ligado a quem eu sou e a forma como eu vejo o mundo, e ninguém pode decidir como eu sinto o que sinto, pois quem está ali, trilhando passo a passo, internos e externos, sou eu.


Determinar pelo o que uma mãe deve ser grata é jogar nela uma capa de mãe perfeita, angelical, aquela que tudo agradece e sofre calada, escondendo por de trás dela alguém que é no mínimo humana e com sentimentos. Entende o ponto que quero chegar?


Assim como muitas outras coisas, esse agradecer a todo custo que é imposto as mães está intimamente ligado ao controle exercido sobre as mulheres, assim como a ideia de que uma mãe deve viver em função dos filhos e portanto, ser grata pela sua simples existência. É invisibilizar um ser humano, não lhe dando a liberdade de escolher o que, e quando sentir.


Certamente serão muitos os momentos em que seremos gratas no nosso maternar, e ninguém melhor do que nós mesmas para sabermos aquilo que genuinamente nos move, sem culpa, sem clichês.


Cada mãe sabe com qual sapato o calo aperta e com qual fica aquele espacinho confortável. Ser grata por algo é muito bom. Poder escolher verdadeiramente (sem título de menas mãe e humana) os motivos pelos quais agradeço, é melhor ainda!


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