• Ana Margonato

Entre elas - Com Daniele Moraes

Atualizado: 29 de mar.



Daniele Moraes é Jornalista, escritora, poeta e mediadora de processos criativos individuais e coletivos através de mentorias, guianças e cursos.



Quem é você na fila do processo criativo?

Dani: Sou aquela que depois de muito bloqueio entendeu que a potência criativa está em todes nós e que ela acontece no movimento. Ficar parada, esperando um "talento" se manifestar não é uma escolha, é uma renúncia. Para essa "fila" andar a gente precisa se disponibilizar para a caminhada.



Se a criatividade fosse uma pessoa, quem seria? Porque esta pessoa?

Dani: Ah, seria a minha criança interior. Um "alguém" que existe em nós, que podemos nutrir e dar colo, alguém de quem já fomos íntimas e que tem dentro de si toda a experiência da criação, a sabedoria da brincadeira.



Que caminhos te levaram a escrita, a arte?

Dani: A arte sempre fez parte da minha vida por uma questão familiar. Venho de uma família de escritores (meu avô, minha mãe, meu pai) e a experiência artística me acompanha desde muito cedo. Alguns textos meus foram publicados num livro anual de redação que havia no meu colégio. Além disso, cantei por 10 anos num coral super vanguardista, que unia a tradição do canto coral com ponto de umbanda e percussão corporal. Com esse grupo de crianças com quem fui crescendo junto e me tornando jovem, fui duas vezes à Europa para apresentações. De certa maneira, a minha formação como pré-adolescente e adolescente foi forjada nessa experiência artística em grupo. E isso foi muito rico para a minha vida.



Qual foi sua maior dificuldade em fazer da arte um trabalho?

Dani: Primeiro, precisei me reconhecer nesse lugar de artista. E sinto que isso é um processo inacabado, mas super importante. Nesse aspecto, a experiência de leitura do livro "O Caminho do Artista" da Julia Cameron foi bem marcante. Pude entender por quais caminhos estruturo a minha necessidade de expressão e como acesso isso com fluidez.



Como você alimenta sua criatividade?

Dani: A escrita livre matinal tem sido uma das minhas ferramentas mais recorrentes, mas além disso acho fundamental observar meus próprios interesses. Olhar para onde os meus olhos querem ver, sabe? Fazer disso uma prioridade no dia a dia, cultivando mais silêncio e auto percepção.



Que lugar tem a maternidade na construção da Dani escritora?

Dani: Acho que a maternidade foi um grande portal para mim em muitos sentidos. Uma experiência que atravessei (ou que me atravessou), como quase tudo na minha vida, com muita intensidade e entrega. Quando tive minha primeira filha, eu escrevi MUITO, sobre a maternidade, sobre parto, sobre esse universo que se abriu. E também sobre o quanto somos arrebatadas pela profundidade e o desafio de educar uma criança. Hoje a minha escrita é menos centrada nessa experiência e mais integrada com a mulher que eu me tornei - unindo diversas das minhas partes. E certamente a escrita é uma cola poderosa para juntar nossos pedaços.



Se a Dani de 2050 lhe enviasse um bilhete, o que estaria escrito nele?

Dani: Aproveita, boba. Vai dar certo.



Como surgiu o candeeiro?

Dani: O Candeeiro surgiu do convite para integrar a Rede Amparo e foi criado a partir da minha própria busca e experiência de transformação pessoal. Após o nascimento da minha segunda filha, fui me dando conta dos limites que eu precisava colocar para determinadas situações, das mudanças que teriam que ser feitas na minha vida e, sobretudo, percebi o quanto eu estava afastada de mim mesma, o quanto eu sequer sabia mais exatamente quem eu era. Ali começou uma busca pela minha reaproximação com a arte, com a escrita, com um lugar de maior autenticidade. Pude então materializar algumas dessas vivências neste curso, que eu gosto de chamar de percurso, e que envolve desenvolvimento pessoal e criatividade.



Fale um pouco sobre os projetos que está tocando no momento e em quais plataformas os leitores podem lhe encontrar?

Dani: Meu trabalho se concretizou lindamente em 2021, apesar de todos os desafios que esses últimos dois anos trouxeram para todes nós. Sou muito grata por isso. Além do Candeeiro - que já teve duas turmas este ano - conduzi turmas da minha Guiança da leitura em grupo do livro "O Caminho do Artista". Também escrevi bastante - tanto para as redes sociais quanto para a minha Newsletter, chamada "No pé do ouvido". Agora estou encantada com o trabalho de atendimento em mentoria individual que passei a oferecer. Uma experiência de troca potente e profunda, onde tenho o privilégio de testemunhar descobertas e transformações incríveis. Para saber mais sobre essas atividades, é só me procurar no Instagram (@danielemoraes) ou no meu site (www.danielemoraes.com.br)



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