• Ana Margonato

Entre elas - Com Aline Bei

Atualizado: 29 de mar.


Foto Lorena Dini

Aline Bei nasceu em São Paulo, em 9 de outubro de 1987. É formada em Letras pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e em Artes Cênicas pelo Teatro Escola Célia-Helena. No momento, cursa uma pós em escritas performáticas na PUC-RIO. O peso do pássaro morto, finalista do prêmio Rio de Literatura e vencedor do prêmio São Paulo de Literatura e do prêmio Toca, é o seu primeiro livro. Foi publicado na França pela editora Aldeia em janeiro de 2022. Seu segundo livro, "Pequena Coreografia do Adeus" foi publicado em abril de 2021 pela Companhia das Letras. Será adaptado para o teatro por Tarcila Tanhã.





Como foi seu encontro com a escrita?


Aline: algo em mim já escrevia quando comecei a escrever. então não posso dizer que foi um susto, talvez a palavra seja deslumbramento.


eu tinha 21 anos quando me permiti o gesto da escrita.


calmamente, surpreendentemente: a Escrita.



As palavras são meio ou caminho?


Aline: são escadas de sabão. podemos tentar subir ou descer através delas. com elegância ou até sem medo, só depois de muitas quedas.



Você acredita que há de alguma forma cura, transmutação de sentimentos quando escrevemos?


Aline: a escrita tem sido minha grande companheira depois da leitura. as duas me ensinam que a vida é um privilégio. não tenho medo quando estou com elas. se me cura enquanto caminho? bem, é provável. e novas feridas se abrem durante esses processos.



Que sentimentos lhe habitaram quando escreveu as últimas palavras do seu primeiro livro? Foi diferente no segundo?


Aline: é sempre diferente, já não somos os mesmos de antes. quando terminei o pássaro pensei: vamos. quando terminei a pequena pensei: nossa.



Sua escrita foge do convencional, do “padrão”. Como foi assumir seu estilo e colocar no mundo suas palavras em um formato diferente do que as pessoas estão habituadas?


Aline: foi natural. escrevo a partir dos silêncios e fraturas. a partir das ausências e dos abismos. é fundamental para o meu texto uma página que respira em sua nuca.



Quais foram suas maiores dificuldades no início da carreira? E hoje?


Aline: ainda estou no início da carreira. a dificuldade maior é entender o tempo da história dentro de mim, antes de mergulhar na processo de escrita.

não apressar nada. conviver com a ideia e com o incômodo.



Se tivesse que escolher apenas uma frase, para se lembrar pelo resto da vida, qual seria?


Aline: "não tenhamos pressa, mas não percamos tempo" é do Saramago quando lhe pediam conselhos aos jovens artistas.



Está trabalhando em um novo livro? Se sim, pode falar um pouco do processo e como isso tem reverberado em você.

Aline: estou. mas ainda não é hora de falar sobre ele.


Conte um pouco mais sobre cursos e oficinas que tem participado e oferecido e onde pode ser encontrada nas redes para maiores informações. Aline: são noites regadas pelo amor que sentimos quando encontramos em um livro algo tão vivo quanto um cão em vigília. sempre divulgo meus cursos pelo ig: @alinebei






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