• Ana Margonato

Desistir ou construir algo novo?

Atualizado: 30 de mai. de 2020

Sempre tive problema com esse lance de desistir das coisas. Muito problema na verdade. Pra mim, desistir de algo estava totalmente ligado à derrota, fraqueza. Demorei muito tempo (mais precisamente 34 anos), para entender que desistir muitas vezes é o extremo oposto de fracasso, é coragem, e das grandes!

Desde pequena dizia que seria jornalista, me imaginava escrevendo na coluna de um jornal ou sendo correspondente internacional daquelas que vão aos locais mais inóspitos do planeta (cada um com seus sonhos né...). Mas a gente sabe que a vida é cheia das surpresas e após muitas histórias engraçadas e outras no mínimo, peculiares, me tornei advogada e fui fazer pós-graduação em Direito Tributário.

E porque estou contando tudo isso?

No primeiro semestre da pós-graduação eu simplesmente me perguntava todo santo dia o porquê estava fazendo aquele curso, juro! Detestava com todas as forças do meu coração. E pra piorar, era bem caro pro meu bolso e tinha uma enxurrada de material para estudar. Não tinha N.A.D.A a ver comigo, nadinha de nada. Era dividido em 05 módulos separados com contrato a ser renovado ao final de cada um.

Aí vem a grande pergunta, vocês acham que terminei o primeiro módulo e falei adeus?

Eu não só terminei o curso todinho, como ainda finalizei o TCC com nota 10, só isso só...

Nos dois últimos módulos eu estava grávida, além de estar trabalhando pra caramba, aprendendo trezentas mil coisas sobre a maternidade etc, lá estava eu, toda semana num curso que eu odiava, pagava caro e gastava a maior parte do meu final de semana nele. O TCC eu comecei no finalzinho da gravidez ( naquela fase que você não sabe se está vivendo ou sendo uma caixa gigante que contêm um bebê dentro). Tinham datas específicas para a entrega do material e em plena fase ativa do meu puerpério (tipo primeiras semanas), lá estava eu escrevendo considerações finais e afins.

Tudo isso porque não sabia desistir, simplesmente não conseguia, era como se tivesse algo que me paralisava quando pensava na possibilidade de deixar algo inacabado pra trás.

Hoje, olhando para tudo isso, consigo entender que desistir muitas vezes é o melhor presente que podemos nos dar, e que isso não tem absolutamente nada a ver com derrota, mas com a possibilidade de construir algo novo.

Depois desse curso deixei muitas coisas para trás, muitas das quais tive medo de me arrepender, de não ser o melhor. Mas deixei. O medo de sentir o gosto da derrota não poderia mais ser o que me impulsionava, não dava mais para continuar fazendo coisas que não tinham mais nada a ver comigo, coisas das quais era possível me desapegar e virar a página.

Esse texto é o primeiro de muitos que serão escritos no meu blog que está sendo finalmente lançado. Digo finalmente porque é um sonho antigo, daqueles que estava esperando há tempos eu aprender a desistir de coisas que não fazem mais sentido na minha vida para apostar naquilo que faz meus olhos brilharem e meu coração acelerar.

Espero que gostem e me acompanhem nessa nova jornada cheia de risadas gostosas, choros e desabafos melancólicos, um pouco de questionamentos, reflexões e claro, um espaço de muita troca e acolhimento.


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