• Ana Margonato

Medo

Atualizado: 16 de mar. de 2021

A gente nasce sem medo.


Feito rebento, sai do ventre direto pra vida aqui fora, aos berros avisando de sua chegada, solicitando seu lugar no mundo. Desbrava seu entorno sem pestanejar, não deixa se quer olhares amedrontados lhe abalar.


Mas aí a gente vai crescendo, e vão nos convencendo de que o medo precisa estar sempre presente. E não falo aqui daquele medo sobrevivência, esse é o medo amigo, que nos lembra quase sempre de olhar pros dois lados antes de atravessar a rua. Eu falo daquele medo, que como diz Chico Buarque, é medo do medo do medo. Que de tanto medo nos deixa amedrontados, nos paralisa diante da vida.


Esse medo do medo não nasce com a gente, nem tão pouco o adotamos por vontade própria, mas somos ensinados a incluir esse sentimento no menu de pedras no caminho.


Afinal, o que seria o medo (que não seja aquele que te faz olhar o sinal vermelho), se não uma bela de uma pedra no nosso caminho. Medo sem propósito de sobrevivência (no sentido mais literal da palavra) só tem uma utilidade, ser enrosco nos sonhos e jornadas.


Que seja possível enfrentar nossos medos, que a jornada possa existir sem sua presença, ou que ao menos sua companhia não se faça mais necessária, nem desejada.


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